quinta-feira, junho 16, 2011

Eclipse de sempre lua.

Quantas vezes vou ter que te olhar, pra quantas vezes poder te dizer?
Sei que se esconde e se furta e se vela e se fende.
Mais quantas vezes vou ter que te olhar, se não consigo saber?
Sei que me olha e me escuta. Se brilham teus olhos, brilham os meus.
Sei onde estás. Insisto. Te olho e te olho e te olho; te canto e me choro.
E quantas vezes vou ter que cantar, se não és meu espelho,
se não és meu sorriso, meu canto, meu siso.
Quantas vezes vou ter que te olhar, pra quantas vezes poder te dizer?
Não me canso e não paro, e não cesso, e te aguardo.
Te sigo, tocaio e tocaio e te espero, te espero sair.
Sei que virá. Posso ver, posso sentir, por debaixo do escuro.
Quanta demora, meu bem, venha, venha já, saia logo daí.
E quantas mil vezes vou te beijar, seus distantes lábios de prata?
Quantas vezes vou ter que te olhar, pra quantas vezes poder te dizer?
Que sei que se esconde, bem longe e segura, enquanto me mata.

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