Antes de aprender a profissão com o pai, não chegava perto, tinha muito medo que espirrasse pó de pedra nos olhos. A cegueira sempre assustou.
“Vou mexer com ouro. Não quero saber de diamantes, berilos, lapidação, essas coisas... Quero ver o mundo refletir no meu trabalho, quero olhar o lustrado e saber o que passa, comandar o passo. O senhor meu pai ficou a vida inteira curvado na frente desse torno, raspando pedra e não viu a metade do que devia.”
Lixa, lima, torno. Cá eu raspando pedra. Dizem que a cidade é um colosso. Não sei de nada, não vi. Cerrei os olhos para não cegar, mão firme, aresta, aresta, aresta, aresta: água para não queimar. Morno.
segunda-feira, novembro 14, 2005
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3 comentários:
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