quinta-feira, setembro 01, 2005

as ventas

Pés descalços no piso úmido, grama japonesa, a respirar pelas ventas arreganhadas. Tudo o que pensava não era mais que finanças, não enxergava um nada, tremia, suava. O filho em pé, ao lado.

_ Papai, posso pedir um guaraná?
Foi o mesmo que falar com uma batata.

_ Papai. Posso? Sem resposta, o menino foi direto à barraca.

_ Por favor, um guaraná. Na conta do meu pai – falou ao balconista apontando para o jardim.

_ Não tem ninguém lá _ respondeu o balconista. Dou o refrigerante se alguém pagar. Infelizmente, eu não tenho nenhum tostão.

_ Deixa pra lá _ disse o menino _ eu não preciso do seu dinheiro. E saiu atrás do pai.

Duas horas mais tarde, avistou-o noutro gramado. Pés descalços no piso úmido, grama japonesa, a respirar pelas ventas arreganhadas. Cego em dívidas.

_ Papai, por que foi embora? Estou com sede. Prometeu não fugir mais.

5 comentários:

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