Pés descalços no piso úmido, grama japonesa, a respirar pelas ventas arreganhadas. Tudo o que pensava não era mais que finanças, não enxergava um nada, tremia, suava. O filho em pé, ao lado.
_ Papai, posso pedir um guaraná?
Foi o mesmo que falar com uma batata.
_ Papai. Posso? Sem resposta, o menino foi direto à barraca.
_ Por favor, um guaraná. Na conta do meu pai – falou ao balconista apontando para o jardim.
_ Não tem ninguém lá _ respondeu o balconista. Dou o refrigerante se alguém pagar. Infelizmente, eu não tenho nenhum tostão.
_ Deixa pra lá _ disse o menino _ eu não preciso do seu dinheiro. E saiu atrás do pai.
Duas horas mais tarde, avistou-o noutro gramado. Pés descalços no piso úmido, grama japonesa, a respirar pelas ventas arreganhadas. Cego em dívidas.
_ Papai, por que foi embora? Estou com sede. Prometeu não fugir mais.
quinta-feira, setembro 01, 2005
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5 comentários:
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